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A tradição oral cumpre uma função fundamental no processo de aculturação, a que todo o ser humano se sujeita, desde o dia em que nasceu. Porque na História de uma comunidade são muitos os acontecimentos que deixam marcas para a posteridade, não admira que, ao longo dos anos, se tenham discorrido numerosas lendas e contos populares acerca dos mesmos, como forma criativa de transmitir os costumes, as tradições e as crenças comuns às gerações vindouras. 

Lenda da Quinta de Lamelas 

Noutros tempos, era a família Neves que se responsabilizava pelo transporte do correio entre Porto -Valença, pois possuíam várias cavalariças ao longo do percurso, para assim poderem trocar de animais. Certa noite, quando passava pelo pinhal da Gelfa, o correio foi assaltado por uma quadrilha comandada pelo dono da Quinta de Lamelas. A família Neves recorrendo ao tribunal, ganhou a questão e passou a gerir a referida Quinta. 
A ser verdade ou não, certo é que a Quinta de Lamelas passou a integrar o espólio da família Neves, pelo menos até ao neto de D. Maria Neves, o Dr. Monteiro. 

Nota: A recolha destas informações deve-se ao trabalho de investigação do Prof. Coelho, que descobriu ainda existirem várias casas em Mazarefes que, nessa época, pagavam um tributo à Quinta de Lamelas, para que não fossem assaltadas pela dita quadrilha. 

Lenda do Monte Santinho 

Segundo a crença popular, nas rochas deste monte bucólico, existem esculpidas a pegada de São Silvestre, a pia onde ele se lavava, os buracos onde ele colocava os castiçais, a sua bengala e o seu martelo. 
Quando São Silvestre se encontrava no Monte Santinho, disse que se devia construir uma capela de sua invocação, no local onde a sua bengala ou martelo caísse, depois de ser arremessado por ele. 
Da primeira vez, o martelo caiu no leito do rio Lima e, da segunda tentativa, foi parar a Cardielos, no monte que, actualmente, tem o nome de São Silvestre.
Tal como ele havia pedido, foi aí levantada uma Capela que ainda hoje existe, muito procurada pelos romeiros que aqui chegam, anualmente, em grande número. 
Quando, em tempos, o gado desta Freguesia foi assolado por uma forte epidemia, a população desesperada pediu a intervenção do Santo Veterinário (São Silvestre) que a ouviu e operou inúmeras curas. Desde então, as gentes de Subportela integram o leito de peregrinos que acorrem à capela de São Silvestre, em Cardielos.

Bibliografia: 
Trabalho apresentado por Maria Armanda António e Maria Natália Pereira, co-financiado pela Comunidade Económica Europeia, através do Fundo Social Europeu para a Associação Desportiva, Cultural e Social de Subportela