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A freguesia de Subportela existe, pelo menos, desde 1162. Isso se conclui dos seguintes documentos: 1. "Doação da Igreja de São Pedro de Cortegaça, com suas pertenças, à Sé de Braga", datado de 6 de Junho de 1162, documento nº 485, folhas 131 e 804 do "Liber Fidei"; 2. "Subportela (São Pedro)", no livro "O Bispo D. Pedro", do Padre Avelino de Jesus Costa, 2º volume, pág. 147; 3. "Censual", V., também no livro "O Bispo D. Pedro", documento nº 313, página 315; e ainda, no mesmo livro, nas páginas 148 e 321.

Para quem queira aprofundar a sua história, além do documento citado, existe ainda no "A.D.B." (Arquivo Distrital de Braga) um documento de 1682, intitulado "Obrigação à Fábrica do Santíssimo Sacramento", no livro 32, folha 64, e ainda outro de 1694, intitulado "Prazo das propriedades de Linhares foreiras à Igreja, no livro 22, folha 249 verso.

Podem também considerar-se documentos, por conterem datas, os seguintes objectos:
1. Um quadro de madeira existente no salão da Igreja, onde se fala da concessão de indulgências aos confrades da Confraria das Almas do Purgatório constituída na Igreja Paroquial de S. Pedro de Subportela. Esta tábua está datada de 9 de Março de 1799.
2. O sino mais pequeno da torre, voltado para norte, tem nele gravada a data de 1816.
3. O sino maior, voltado para oeste, tem a data de 1851.
4. Na sacristia velha, na padieira da porta que dá para o coro e torre, encontra-se gravada esta inscrição: MDCCCLXIX = 1869.
5. No guarda-vento, por cima da porta de entrada para a Igreja está escrita a data de 1909.

Há também peças artísticas que, pelo seu estilo e forma, nos podem dar pistas para a reconstituição da história da Igreja da nossa terra. Assim temos:
1. Uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, tendo na mão direita uma cruz de estilo românico.
2. Um altar que parece ser de estilo românico: o altar das Almas do Purgatório. O altar de N. S.ra das Dores é muito semelhante, mas deve ser imitação pois aparece a encimar o altar um motivo fito-mórfico (peça em forma de planta), também de pedra como o restante.
3. Dois altares de estilo renascentista, isto é, da renascença portuguesa: o altar de N. S.ra do Rosário e o altar de S.to António.
4. A imagem de S.to António tem na mão direita uma cruz de estilo da renascença portuguesa.
5. Dois arcos de meia volta completa em pedra: o arco do cruzeiro, que divide o corpo da Igreja do presbitério; e o arco que divide o corpo da Igreja da capela do S. C. de Jesus.
6. A cruz de pedra que encima a fachada principal é renascentista, tal como a que encima o arco do cruzeiro.
7. A cruz de pedra que encima o altar-mor é de estilo gótico.

Podemos pois concluir que há na Igreja vestígios românicos e góticos, mas a Igreja tem sobretudo arte barroca e da renascença portuguesa.

Assim, podemos dizer com alguma certeza que a Igreja de Subportela foi construída pelos séculos 11 ou 12 e que passou por várias fases em que sentiu sobretudo a influência da arte da renascença portuguesa e do barroco. As três maiores restaurações da Igreja devem ter-se dado, a primeira no fim do século 16, da qual nos restam dois magníficos altares e outras coisas menos importantes; a segunda deve ter-se dado entre 1816 e 1869 e dela temos o altar-mor, etc.; a terceira e última deu-se no princípio deste século e terminou em 1909.

Esta última restauração foi-me confirmada por algumas pessoas idosas da freguesia, infelizmente já falecidas, que me contaram como a Igreja foi quase toda modificada nessa altura, sendo também a actual fachada construída então. A Igreja era antes muito mais baixa e mais pequena. A pedra para as obras veio do Monte Roques, carregada em carros de bois. Quem orientava as obras era o pároco de então, o Sr. Padre Carvalhal, natural de S.ta Maria de Geraz do Lima. Muito mais havia a dizer sobre a Igreja Paroquial, mas o exíguo espaço que me concederam não o permite.

P. Torres Lima (Março de 1999)