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Subportela é uma freguesia do concelho de Viana do Castelo, situada na margem esquerda do rio Lima, com cerca de 1500 habitantes, dividida em 3 lugares: Cortegaça, Lomba e Monte.
A população activa localiza-se maioritáriamente no sector secundário, sobretudo no núcleo urbano da cidade de Viana. Existem alguns casos de emigração, sendo os destinos mais preferidos Andorra, Alemanha e França. A população em geral é de nível sócio-económico médio.



História


A freguesia de Subportela fez parte da Terra Medieval de Neiva e foi curato da apresentação da mitra Bracarense. Uma vez que, em termos geográficos, o território desta Freguesia se encontra delimitado pelos castros do monte de Roques (popularmente designado por Monte Santinho), do monte de Nossa Senhora do Castro e do Castelo (de Neiva), acredita-se que o povoamento desta região ascenda a épocas bastante remotas. Já na passagem do século XII para o XIII, estava instituída como Paróquia, mercê dessa tradição.

As primeiras referências históricas a esta região surgem em 1162, num documento em que se doa a Igreja de São Pedro de Cortegaça, com suas pertenças, à Sé de Braga. Contudo, é nas Inquirições de D. Afonso III que se conhece a riqueza toponímica da Freguesia, visto que, para além de se dirigir ao local como “parrochia Sancti Petri de Cortegaza”, faz referência a outros lugares, entre os quais o de Castro de Cabras, destacando, além da existência de um reguengo simples, um pequeno castro e a fauna que, na época, habitava a elevação - a cabra selvagem -, infelizmente extinta. No documento, segue-se a enumeração de vários locais de origem antroponímica germânica, indicativos de propriedades muito anteriores ao século XII, como por exemplo, Baltar (genitivo do nome pessoal Balduarius - Balduarii villa) e Sandim (o mesmo que na origem Sandini villa, de Sandinus).
Com base nas referidas Inquirições, o estado da Paróquia, em meados do século XIII, era o seguinte. “Existiam nela muitos prédios, reguengos simples, demarcados, denominados «leiras» (campos); (...) de resto, a freguesia apresenta o caso raro em Entre Douro e Minho, na época, de independência local relativa, quanto à percentagem dos direitos reais nela, porque se encontra arrendada com a coroa por quantia fixa anual, a saber: trinta e um maravedis, com dois carneiros e quarenta e duas galinhas, e quarenta moios por «estiva». Havia três famílias adstritas ao cargo de «mordomarem» o pão referido para a coroa, isto é, deviam coligir os quarenta e dois moios devidos: «sum foreiros de el-rey per cabezas de mayordomarem o pam de Cortegaza... e levarem-no a Darqui»; e a existência de mordomos da coroa naturais e moradores da freguesia era uma garantia de segurança em absoluto concorde com a espécie de municipalização que se observa, para a qual não pouco devia ter concorrido o nexo paroquial, que seria aqui dos mais remotos do País. Mas nesta situação tributária nem tudo era vantagem e segurança, porque, estabelecido o «arrendamento» fixo com a coroa, devia solver-se íntegro, quer houvesse, quer não houvesse (produzisse a terra ou não) com a agravante de que, obtendo os nobres e privilegiados aqui haveres, por abuso e até atentado, e às vezes ainda por obra de alguma família por qualquer interesse ou circunstância, deixavam os novos proprietários, por suas qualidades e excelências de estirpe, de prestar o respectivo contributo na renda fixa, de modo que, quem sobrecarregava vinha a ser os outros habitantes vilãos, que viam entre si repartida a obrigação, que os outros não solviam - isto é, na expressão das Inquirições, «tornava-se a renda sobre os homens», que a aguentavam a ponto de os monumentos noutras terras, onde se repetia o fenómeno, os chamarem desgraçados («pagam-no os mesquinhos»)”.
Ora, tratava-se de uma situação pouco vantajosa, já que fidalgos e mosteiros possuíam muitos Casais da Freguesia, mas não pagavam renda. Na freguesia de Subportela (Cortegaça) eram, pelo menos, “dez casais de São Romão (o mosteiro de São Romão de Neiva, sem dúvida), «que davam cada ano in renda de el-rey, et jazem ermos, et torna-se a renda sobe los omees»; era um de São Salvador (decerto, o mosteiro de São Salvador da Torre), igualmente; outro de Souto (o mosteiro, pela certa); outro da Ordem do Hospital, no mesmo procedimento; eram seis «leiras» da própria igreja paroquial local, dois casais de Palme (o mosteiro, com certeza) e um do Carvoeiro (também, por certo, o cenóbio), trazidos pelo filho de algo D. Pêro Velho, que fora recebido aqui por filho e herdara dos adoptantes (talvez forçados por ele, que governava na «terra»); e era, ainda, um casal do mosteiro de Tibães, outro de Pêro de Rates (fidalgo), a proceder igualmente; etc.”.
Pelos textos citados, pode-se inferir os vários nomes que esta Freguesia teve, ao longo da sua História. O primeiro nome conhecido é “Sanctus Petrus de Cortegaza”, vindo depois a usar, sucessivamente, os topónimos “Sanctus Petrus de Portela”, “Sam Petro de Soportela”, “Sam Pedro de Portella de Doucriste”, “Sam Pedro de Portela de Jusãao” e, finalmente, “São Pedro de Subportela” ou, simplesmente, “Subportela”.
O actual lugar de Cortegaça recorda ainda o nome primitivo da região. Acerca das restantes denominações, de acordo com o Padre Torres Lima, pode-se conjecturar que Portela — porção de terra rodeada de montes por todos os lados, excepto um — se referia não apenas à actual freguesia de Subportela, mas também a Deocriste, já que a parte sul das duas freguesias, se unidas, formam realmente uma Portela. “Talvez por isso apareça uma vez a designação de «Portela de Doucriste», indicando a possibilidade de, nessa época, as duas freguesias formarem uma só. (...) O nome «Portela de Jusãao» significa Portela de Baixo, para se distinguir da Portela de Cima, a actual Portela Susã, que forma efectivamente uma Portela. Os nomes «Soportela» e «Subportela», ao contrário de «Portela de Jusãao», podem já significar, não uma Portela de Baixo, mas uma povoação que fica, «abaixo da Portela», o que condiz com a realidade”.